Só aqueles que entendem a beleza do mundo e da criação tem a coragem de deixar o leito cedinho pela manhã para enxergar o milagre que acontece cada alvorada nos dias de céu claro. A escuridão recua, as estrelas vão dormir e do oriente começa uma claridade que se faz cada vez maior. São os primeiros raios de luz que fazem renascer a terra e acordam as cores das cidades e da natureza.

Este primeiro raio de luz ainda não é o sol, mas dá a certeza de que ele está por chegar. Essa certeza faz que a espera tenha sentido, que o esforço feito por estar acordado tenha uma recompensa e ajuda a entender que as coisas mais bonitas do mundo acontecem as vezes no silêncio.

Assim espera o católico no tempo de Advento, como dizia São Pedro «considerai qual deve ser a santidade de vossa vida e de vossa piedade, enquanto esperais e apressais o dia de Deus» (2 Pe 3,11-12). O dia de Deus, no Natal, está a chegar. O dia de Deus, na vida eterna, está a chegar. Temos a certeza de que o raio de luz que se percebe na própria vida é sinal do sol que está já pronto para surgir no horizonte. Pode ser que «virá o dia do Senhor como ladrão» (2 Pe 3,10), como aconteceu ontem com a jovem Sara Carreira em Portugal, e tomara estejamos prontos para reconhecer a Cristo nesse momento.

Tem muita escuridão em tantos lugares e em tantos corações, será que podem abrir-se à luz antes do Natal? O primeiro raio de luz já apareceu na terra, que ele ilumine na vida de cada católico uma alegria profunda e uma esperança certa, e que assim se irradie em todas as pessoas.